UM JEITO ÚNICO DE SER DIFERENTE

colecao singular e entrevista armacoes de grau diferentona

COLEÇÃO SINGULAR: ARMAÇÕES DE GRAU DIFERENTONAS

A Coleção Singular é feita de armações de grau diferentonas pra quem gosta de sentir que tem um jeito único nesse mundo.

Pra expressar esse sentimento de singularidade, convidamos duas Drags maringaenses (da nossa terrinha natal) lindas, a Allana Summers e a Éla Petit, e aproveitamos para fazer uma entrevista com elas enquanto mostram suas armações diferentonas favoritas!

Quer conhecer mais sobre elas e sobre o universo drag? Segue o fio!


Allana Summers:

Fala e maquia!

Legenda: Allana usa oclito Speak Armação

 Ui! Gafas: “Você quer se apresentar primeiro?”

Allana: “Meu nome é Fernando e tenho 20 anos… Mentira! Eu tenho 26 anos. Moro em Maringá. E comecei a me montar em 2014 por influência dos meus amigos”.

Ui! Gafas: “O que é ser Drag pra você?”

Allana: “É arte e representatividade. Não é só colocar uma peruca na cabeça e passar um batom e um delineador e falar: ‘to pronta’. Não, é muito mais, vai muito além disso. É militância, porque é uma arte vista de maneira pejorativa. Muita gente acha que ser Drag é bagunça”.

 

Legenda: Allana usa oclito Dallas Armação

Ui! Gafas: “Quando você diz que ser Drag não é bagunça, o que você quer dizer?”

Allana: “Tem gente que acha que ser drag é só sair, fazer fervo, fazer festa. E não é só isso, tem toda uma militância. Porque você ser gay, preto e ainda se montar de drag… Esse é o combo pra você ser hostilizado. Então, não é só bagunça, e sim militância”.

Ui! Gafas: “Quem são suas inspirações?”

Allana: “Minhas inspirações no universo Drag são Glória Groove, Marcia Pantera, Silvetty Montilla, entre outras. Cantoras que eu gosto são Whitney Houston, Gloria Gaynor, Tina Turner… Acho que são tantas que eu fico até meio perdida”.

Ui! Gafas: “De onde veio seu nome?”

Allana: “Na verdade, meu nome não era nem pra ser Allana Summers. Era pra ser Allana Storm. Eu não sei também de onde tiraram Storm, mas tudo bem, né? Aí, meu amigo foi me divulgar em uma festa, e errou o nome e falou Allana Summers. Então, foi uma coisa acidental. Mas assim, Allana era um nome que eu já queria. Eu não sei também de onde eu tirei, mas na minha cabeça Allana combinava com Fernando. Aí me falaram: ‘coloca Allana Storm’. Daí eu fiquei: ‘Nossa, Storm? Puts… Tá, então deixa Allana Storm’. Daí ele foi me divulgar na festa: ‘E hoje teremos show de Allana Summers!’. Daí eu falei: ‘Bicha, não é Storm?’. Aí ele me responde: ‘Ai, eu errei…’. E ficou Allana Summers. Agora eu tenho vários apelidos: Alhama Summers, Agrama Summers, Anhanha Summers, A piranha Summers (risos)”.

Ui! Gafas: “Quando você se monta e sai do modo Fernando e entra no modo Allana Summers, o que você sente que muda na sua personalidade?”

Allana: “Nossa, eu sinto uma diferença enorme. Eu não sou tímido, mas quando eu incorporo a Allana, parece que explode! Eu grito! Me traz autoconfiança! Quando eu coloco a peruca, é um outro ego que aparece, totalmente diferente. Acontecem coisas que eu não sei nem explicar, coisas que como Fernando eu não faria, eu faço como Allana. Eu consigo dialogar com mais firmeza com as pessoas, atraio mais a atenção das pessoas”.

Ui! Gafas: “E você sente que isso te faz bem?”

Allana: “Bom, eu sinto que isso me faz bem, porque eu consigo me soltar mais”.

Legenda: Allana usa oclito Hype Armação

Ui! Gafas: “O que as pessoas mais falam quando você está montada?”

Allana: “Na parte positiva, eu ouço muito: ‘Nossa, que linda, que maravilhosa! Quanto tempo você leva pra se montar?’. Agora, tem gente que acha que porque você é Drag você é igual celular, ficam te tocando. Isso não é nada positivo. Eu só tenho vontade de falar: ‘Não encosta’. São coisas que incomodam. Tem muita gente que faz pergunta mais maliciosa: ‘Você sai assim pra outros lugares? Você cobra?’, entendendo como uma coisa completamente diferente do lugar de artista. E isso incomoda um pouco. Eu já cansei de estar no meio da boate e vir um despretensioso e bater na bunda da gata aqui!”

Ui! Gafas: “E você sente que isso de alguma forma faz parte de um preconceito?”

Allana: “Ah, não sei se eu diria preconceito, mas a pessoa tem que ser muito abusada! Quando você dá intimidade pra pessoa, ok! Mas quando não, não significa que porque eu sou Drag que as pessoas podem fazer tudo o que quiserem. Vem e passa a mão e fala: ‘Ai amiga, ai linda!’. Não. Não dei intimidade.

Legenda: Allana usa oclito Orb Armação

Ui! Gafas: “O que você gostaria que as pessoas soubessem sobre a arte de ser drag?”

Allana: “Eu gostaria que soubessem que a arte de ser drag não é só um mundo de fantasias, e sim um mundo que você pode conquistar seu espaço, seus direitos, seus sonhos, uma nova forma de viver e de trabalho. É militar pelos seus ideais. Ser Drag é você explorar uma infinidade de coisas sobre você mesma, que você jamais saberia que conseguiria alcançar. Lugares esses que jamais imaginaria chegar, como eu pensava que eu nunca chegaria em lugares das quais a Allana me proporcionou chegar. Se você tem uma vontade de começar a arte Drag e quer se expressar, esse é o momento! Porque é possível expressar coisas grandiosas sendo uma personagem, explorando outra versão de você. Você pode conquistar com a sua arte um jeito diferente de ser você. Você pode ser várias pessoas em uma só!”


Éla Petit:

A arte de se comunicar sem usar as palavras

Legenda: Éla usa oclito Yell Armação 

Ui! Gafas: “Pode começar se apresentando?”

Éla: “Bom, meu nome é Carlos e também Éla Petit pra quem preferir. Eu me monto há 4 anos e comecei com o intuito de me libertar. Eu sou uma pessoa muito tímida e os meus amigos começaram a me incentivar. Eu sempre gostei desse mundo e aí comecei a me montar com os amigos, em festas em casa. E, de repente, virou isso que sou agora: me monto profissionalmente”.

Ui! Gafas: “O que é ser Drag pra você?”

Éla: “Ser Drag pra mim é primeiramente um meio de comunicação. É uma forma que eu tenho de me comunicar sem usar as palavras, de me expressar artisticamente. Sempre gostei de costura, pintura e desenho. E essa é uma forma de mostrar para as pessoas a minha arte, porque eu construo meus looks e eu pinto meu rosto cada vez de uma forma diferente, seguindo uma inspiração de algo que eu vi ou ouvi. Acho que é isso. Eu faço todos os meus looks, porque em loja eu nunca encontro o que eu procuro, ou quando eu encontro não é do tamanho que serve em mim. E aí costurando eu consigo fazer o que eu quero e de uma forma mais em conta. Mas eu não tenho curso, eu vou fazendo pelo que eu acho que vai dar certo e assisto vídeos na internet”.

Ui! Gafas: “Como você se sentiu a primeira vez que você saiu montada de Drag?”

Éla: “A primeira vez que eu sai montada foi para uma balada. Quando eu sai na rua, me senti muito exposta. Parecia que todo mundo estava me olhando e, realmente, todo mundo estava me olhando. Então, eu comecei a perceber que as pessoas me olhavam com admiração. E foi uma coisa que eu quis repetir. E no próximo final de semana eu fiz de novo, e no outro, e no outro…”.

Legenda: Éla usa oclito Equinox Armação

Ui! Gafas: “Nossa, deve ser uma experiência única, né? Se transformar num novo gênero visualmente…”

Éla: “É difícil descrever, porque as vezes você não está se sentindo bem… No meu caso, agora que eu toco e sou paga para estar nas festas, as vezes eu não estou me sentindo bem, não estou com vontade de me montar e faço aquela montação realmente só por questão de trabalho e chegando na porta da balada um monte de gente já vem te abraçar, conversar e elogiar e aí muda, eu não sinto mais que estou trabalhando”.

Ui! Gafas: “É como se fosse um alterego?”

Éla: “Exatamente. Eu falo que é um alterego. Geralmente as pessoas falam que a Drag é um personagem, mas eu não sinto assim, porque um personagem é algo que todo mundo pode fazer, e a minha Drag só eu posso fazer. Então, é um alterego, uma persona que eu criei e tenho bastante orgulho disso”.

Ui! Gafas: “Quando você se monta você sente que sua atitude muda?”

Éla: “Eu não sinto, mas as pessoas que me conhecem em out (quando não estou montada) sentem. As que me conhecem bem falam que eu mudo bastante. Eu sou extremamente tímido e retraído. Tanto que as pessoas que eu conhecia antes não acreditam que eu me monto e, quando me veem pela primeira vez montada, ficam chocadas. Como Drag, eu ainda acho que eu preciso mudar, porque eu sou um pouco mais tímida que as outras. Mas eu também gosto de ser assim, porque a gente lida com público e as vezes é bom ter uma certa distância, porque as pessoas a noite perdem um pouco a compostura. Eu nunca senti ninguém encostar em mim. Eu não sei dizer se é pelo meu jeito, pela forma que eu me apresento, se é pelo meu tamanho, porque eu sei que para algumas pessoas isso pode intimidar, por ser alta e maior”.

Legenda: Éla usa oclito Spirit Armação

Ui! Gafas: “Quem são suas inspirações?”

Éla: “Hmmm… A minha maior inspiração tá no meu nome, é a Julia Petit. Eu gostava muito dela quando começaram a surgir vídeos de maquiagem. Gosto muito da forma como ela vê a vida e faz as coisas, da postura que ela tem. Mas fora ela, eu não me inspiro muito em pessoas, me inspiro mais na arte, na moda. Eu não sei te dizer se tenho outra inspiração além dessas, porque cada montação eu penso em uma coisa diferente e me inspiro naquilo, então é difícil dizer quais são minhas inspirações fixas”.

Ui! Gafas: “Se montar agora pra você se tornou algo profissional?”

Éla: “Sim. Estou conciliando o profissional com o gostar de me montar, porque querendo ou não é uma arte um pouco cara, sabe? É difícil você comprar peruca, maquiagem, tecido todo final de semana pra fazer roupa, ou no caso de quem compra a roupa, ainda é mais caro. Apesar de eu repetir alguns looks, eu sempre faço uma coisinha diferente. Às vezes eu estou com um macacão e um body liso e eu vou e encho de pedraria, ou eu pinto. Corto, faço novas peças… Difícil eu sair exatamente igual”.

Ui! Gafas: “Como é a relação das Drags? Vocês fazem trocas?”

Éla: “Aqui em Maringá a gente é bem privilegiada nesse cenário, porque não temos rivalidade, como ocorre muito em outras cidades. E é uma relação de ajuda mútua. A gente troca peruca, eu ajudo bastante as meninas com look, as drags que tocam emprestam fone de ouvido, etc”.

Ui! Gafas: “O que você as pessoas mais falam quando você está montada?”

Éla: “Quando eu estou montada o que eu mais ouço são elogios mesmo. Mas as vezes tem o outro lado que eu acho um pouquinho chato desses elogios, porque as pessoas comparam muito. É um mundo feito de comparações. Então, é aquele elogio que é bom, que te deixa feliz, mas quando você para pra pensar percebe que aquele elogio diminui outra pessoa, porque já falaram pra mim: ‘Ah, você é a mais bonita… Você é a melhor’. Nesse sentido, as vezes é chato, porque cria rivalidade e não queremos isso. Mas isso é inevitável. Acontece o tempo todo, não só comparações com Drags locais, mas com algumas mais famosas também. Pelo menos comigo é isso”.

Legenda: Éla usa oclito Yell Armação

Ui! Gafas: Como as pessoas que você conhece reagem quando descobrem que você se monta?

Éla: “Quem não é do meio, as vezes acha que a gente quer ser mulher. As pessoas do meu trabalho, ou outras pessoas que descobrem que eu me monto têm muitas dúvidas sobre isso: Se você quer ser mulher, ou se você é trans, essas coisas. As pessoas que estão de fora dessa bolha tem um pouco de dificuldade de ver de cara que isso não tem nada a ver com orientação sexual ou de gênero”.

Ui! Gafas: “O que você gostaria que as pessoas soubessem sobre a arte de ser drag?”

Éla: “Eu gostaria que as pessoas soubessem que ser Drag é libertador. Todos deveriam experimentar. É uma forma de arte e de expressão indescritível. É isso, não tem como descrever a sensação de estar montada e nem como eu me sinto quando eu estou montada. É indescritível. Muito prazeroso”.


Gostou de conhecer mais sobre essas duas personalidades maravilhosas? Se quiser ver toda a transformação delas, acompanhe o nosso perfil do Instagram, que mostraremos essa semana a montação da Allana Summers e Éla Petit.

E pra conferir a coleção Singular e todas suas armações de grau diferentonas, clica aqui!

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