ORGULHO LGBTQIAP+

Sabemos que junho é o mês do Orgulho LGBTQIAP+ e precisamos falar sobre isso.

É o mês em que acontece a Parada e onde a gente foca especialmente nessa temática, principalmente, pra dar visibilidade para toooodas as pessoas que, de alguma forma, se encaixam nessa sigla.

Para início de conversa, vamos falar sobre essa sigla gigantesca, que sempre vemos mudar de tempos em tempos e da importância de cada letrinha dessa pra essa comunidade minoritária, que precisa ganhar voz e visibilidade.

A nova sigla é LGBTQIAP+

Até o dia 17 de maio de 1990, há 30 anos, ser homossexual era considerado uma doença. Foi nesta data que a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID). A partir daí, surgiu a primeira sigla para definir a comunidade homossexual: GLS (Gays, lésbicas e simpatizantes). 

Até então era comum o termo “homossexualismo”, que por si só, já carrega um peso pejorativo devido ao sufixo “ismo” – que muitas pessoas associam com patologias, doutrinas e ideologias.

Com o tempo, mudou-se a sigla para GLBT, incluindo-se assim bissexuais e transgêneros. E, em meio a debates, foi acordado que mulheres lésbicas precisavam ter mais visibilidade em meio a comunidade, alterando-se a sigla para LGBT.

Muito recentemente, foi-se estabelecido a inclusão de novas letras, o que ficou conhecido como LGBTQIA+ ou ainda LGBTQIAP+.

  • Mas o que significa essa nova nomenclatura? O que são as outras letras da sigla?

Q = Queer 

“QUEER” é uma palavra em inglês que era usada como xingamento para se referir a pessoas com ausência de gênero. Essa comunidade de pessoas acabou se apropriando do termo e assim, o ressignificou para poder se posicionar e se definir com orgulho. 

Essa expressão é muito mais usada nos EUA do que no Brasil, mas basicamente é a NÃO heteronormatividade, ou seja, todos aqueles que não são heterossexuais. 

I = Interssexuais

Interssexuais são as pessoas que possuem variação biológica relacionada ao sexo, mas não necessariamente associado à genitália.

É uma expressão cheia de estigmas e muito pouco popular, por isso a inserção dela na sigla veio com essa intenção, de naturalizar todos os tipos de corpos.

A = Assexual

São pessoas que estão em um “lugar” diferente do que todo mundo definiu que é “normal” (pessoas sexuadas). Ou seja, são pessoas que não sentem atração sexual por ninguém, ou sentem em situações, de maneiras, ou com pessoas específicas.

É muuito necessário trazermos a tona essa discussão, principalmente porque hoje a sociedade entende a sexualidade e a afetividade como uma mesma coisa. Ao falarmos sobre essa temática é preciso entender a separação entre essa duas coisas, porque elas não andam necessariamente juntas.

Vale ressaltar também que as siglas são importantes para marcar e definir essas questões que estamos abordando aqui, mas internamente, em cada indivíduo, essas ideias são muito mais múltiplas e complexas do que a gente imagina.

P = Panssexualidade 

Por fim, a panssexualidade é aquele + da sigla. É a orientação romântica e/ou sexual por qualquer sexo ou expressão de gênero, sendo ela binária e não binária. É uma orientação mais recente e tem tem muita ressonância com a Bissexualidade, mas não necessariamente é a mesma coisa. 

Com o debate, as siglas vão aumentando, não porque surgem cada vez mais pessoas LGBTs, mas porque conversando, vai-se compreendendo algumas expressões que até então não era possível.

Trazer essa nomenclatura e todas essas siglas, é muito importante para dar visibilidade e endereçar ações, políticas públicas e complexificar o debate da existência humana, que é sim complexo e múltiplo.

Por que JUNHO é o mês do Orgulho LGBTQIAP+?

Este é o mês do orgulho LGBTQIAP+, marcado por uma revolta que ocorreu em Nova York no bar Stonewall Inn. Esse episódio ocorreu por uma série de manifestações violentas e espontâneas de membros da comunidade LGBT+ contra a invasão da polícia no dia 28 de junho de 1969.

(Fachada do bar Stonewall Inn). Fonte: Esquerda Online

Naquela madrugada, homossexuais que se encontravam no bar gay Stonewall Inn resolveram enfrentar a ação da polícia, permanecendo por vários dias confinados dentro dele e recebendo o apoio da multidão de gays e lésbicas que, amontoados do lado de fora, apoiaram a resistência.

(Militantes marchando por Nova York nos dias seguintes às revoltas). Fonte: Hypeness

A partir de então, o episódio passou a ser considerado como o da libertação gay, elevando o status de 28 de junho, que passou a ser tido como O Dia Internacional do Orgulho Gay.

No Brasil, estávamos em ditadura militar (1964-1985), o que dificultava a organização de grupos sociais, que eram vistos pelo regime militar como opositores.

Stonewall teve repercussão significativa na sociedade norte-americana e, um ano depois, em 28 de Junho de 1970, acontecia a primeira Parada do Orgulho LGBTI+ de que se tem notícia, também pelas ruas de NY.

O Brasil é responsável pela maior Parada do Mundo. Esse ano foi um pouco diferente. A Parada ocorreu, mas foi online, devido a Pandemia. No domingo, dia 14 de junho, foi possível acompanhar lives e ações na internet por meio da hashtag #ParadaSpAoVivo 

(Participantes da 23ª edição da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (MASP), na Avenida Paulista, centro da capital). Fonte: G1 São Paulo

Créditos:

Youtuber Nátaly Neri

Instagram @zuaohenrique 

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