Filhos da Terra

Brenno Xavier e a resistência indígena.

Essa semana nós celebramos duas datas importantíssimas: o dia do Indígena e o dia da Terra. Para entender melhor o significado delas entrevistamos o Brenno Xavier, que desenvolve um projeto lindo no Paraíso ANIKAUAI. Vem conhecer mais a história dele com a gente!

1. Conta um pouco da sua história e de você pra gente?

“Eu sou o Brenno Xavier. Moro atualmente na Bahia da Traição, uma reserva Indígena Potiguara no estado da Paraíba. Mas eu nasci em um município chamado Palmares em Pernambuco.”

“Sou filho de uma mulher branca e um homem Indígena, sou um caboclo. Mas a minha alma e as minhas práticas culturais e espirituais são as dos povos Indígenas. Eu manifesto tudo isso no território onde vivo. Aqui eu sou anfitrião de uma casa de hospedagem que recebe turistas para viver uma experiência existencial em integração com a natureza, com os nossos ritos e as nossas tradições.”

2.Dia do Indígena, como você entende essa data?

“Hoje é 19 de abril, dia em que se comemora o dia do Índio. Eu particularmente não vejo motivos para comemorar, porque o estado tenta invisibilizar as comunidades tradicionais todos os dias, em todos os tempos. Então esse dia é um dia de luta e resistência.”

“Um dia onde os indígenas podem mostrar que estão aqui. É quando eles têm espaço para mostrar o quanto ainda existe e resiste essa cultura do povo originário do Brasil. Então, eu não acho que deveria ser um dia de comemorar e sim de refletir e de abrir espaços para esses povos poderem falar sobre suas culturas, tradições e sobre suas lutas, principalmente.”

3.Conta mais sobre seus projetos?

“Aqui no território eu desenvolvo muitos projetos sociais, onde através do turismo a gente leva renda para muitas famílias. Aqui o turista se integra à realidade do povo local e experimenta tanto da culinária, quanto dos artesanatos, da espiritualidade. Desacelerando a alma e integrando-se à natureza. É uma experiência muito bonita e graças a ela muita renda é distribuída aqui na comunidade. 

4.Dia 21 de abril é dia da terra, sabemos que cuidar do planeta nunca foi tão necessário, como podemos começar esse movimento?

“Dia 21 é o dia da terra e o que a gente pode fazer para preservar esse movimento? A gente precisa entender que nós somos filhos dessa terra, que ela é nossa mãe. Ela é um ser vivo e não um objeto onde a gente só vai lá pra extrair o que ela tem para oferecer. Temos que entender que a terra é uma espécie e a vida na terra só existe porque ela existe.” 

“Então, a maior parte dos indígenas se identificam como filhotes da natureza, e por isso onde tem indígena tem verde, tem vida e tem água limpa. Preservar a terra é preservar a garantia de sobrevivência da nossa própria espécie.” 

5.O que você gostaria de compartilhar com os Ui! Lovers?

“Eu tenho algo para compartilhar com vocês e é a nossa busca. A busca por um movimento a céu aberto onde a gente não precise ser nem estar para pertencer, apenas estando aberto para dar e receber amor. Não tem outra forma de se estar aqui nesse mundo. Se não for para ser feliz, se não for para fazer a felicidade das pessoas, então para que estar aqui? É o movimento do ser livre. É isso que eu espero, empatia, reciprocidade e afeto.”

 

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